EDUCAÇÃO INDÍGENA


“o que nós queremos é uma escola com o cheiro do nativo, porque a gente precisa da leitura, da escrita, da universidade, mas a gente também necessita das nossas verdadeiras identidades. A gente não pode perder nossos costumes e esses costumes não podem deixar de ser passado para as nossas crianças” 

Valdinete Tupinambá*.

“Por que afinal existe uma escola em nossa aldeia?”

Convidamos a todos, gestores/as, professores/as, coordenadores/as, alunos/as, pais e todas as pessoas da comunidade indígena para participarem de um momento de reflexão, análise e proposições para a Educação Escolar Indígena desenvolvida nas escolas indígenas baianas.

Sendo a escola indígena uma conquista é preciso estar muito claro e efetivamente expresso o sentido do seu funcionamento e o compromisso dos profissionais e da comunidade indígena com a instituição escolar. De escola “para” índios e escola construída com  os índios, é imprescindível fazer reflexões sobre o fortalecimento da identidade, valorização da diversidade, autonomia e cidadania. Os profissionais da educação devem estar cientes de que esta modalidade de educação não é uma mera transposição de um modelo da escola não indígena para uma comunidade indígena: “é preciso que se considere qual o projeto de vida da comunidade, o que e como a escola pode contribuir com esse projeto, o que os/as indígenas pensam sobre a escola e o que esperam dela” (Wilmar D’Angelis, 2012).

Pensar e realizar a Educação Escolar Indígena é revisitar seu trajeto histórico, conhecer profundamente o seu marco legal, considerar os diversos agentes envolvidos, as transformações sociais e culturais ocorridas. Pensar e realizar a Educação Escolar Indígena é se afastar das pedagogias homogeinizantes, dos conteúdos prontos que caem de paraquedas. 

É vital que toda a comunidade indígena se aproprie da sua escola e participe dela de modo ativo, pensando conjuntamente o seu currículo, sua missão e valores adotados.

A reflexão sobre a importância da escola para a comunidade e a presença da escola na aldeia pode apontar caminhos para as crianças, jovens e adultos da comunidade percorrerem em busca da tão almejada autonomia.

*Apud MAGALHÃES, José Carlos Batista. “O QUE NÓS QUEREMOS É UMA ESCOLA COM O CHEIRO DO NATIVO”: Os modos de apropriação da escola pelos Tupinambá de Olivença, 2019.

Algumas sugestões de leituras essenciais:

BRASIL. Referencial Curricular Nacional para as escolas indígenas – RCNEI, disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me002078.pdf

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Indígena, disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=11074-rceb005-12-pdf&category_slug=junho-2012-pdf&Itemid=30192

D’ANGELIS, Wilmar. Questões de Educação Escolar Indígena: da formação do professor ao projeto de escola. http://www.funai.gov.br/arquivos/conteudo/cogedi/pdf/Livros/Questoes-de-educacao-escolar-indigena/Questoes_de_educacao_escolar_indigena.pdf

D’ANGELIS, Wilmar da Rocha. Contra a Ditadura da Escola, 1999, disponível em: http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/32355/1/S0101-32621999000200003.pdf

D’ANGELIS, Wilmar. Educação Escolar Indígena? A gente precisa ver. http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252008000400013

D’ANGELIS, Wilmar Aprisionando sonhos – a Educação Escolar Indígena no Brasil.2012 https://www.worldcat.org/title/aprisionando-sonhos-a-educacao-escolar-indigena-no-brasil/oclc/855372270

TASSINARI, Antonela.A Educação Escolar Indígena no contexto da antropologia. https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/16328

GHANEN, Elie. A escola indígena e as aspirações da comunidade http://serv-gpec.ucdb.br/index.php/tellus/article/view/262

CIARAMELO, Patrícia. Escolarização Indígena Cultura e Educação https://www.fpce.up.pt/ciie/sites/default/files/ESC41_P_Ciaramello.pdf