EDUCAÇÃO QUILOMBOLA


A Coordenação de Educação do Campo e Quilombola, através da Secretaria de Educação do Estado prepara para o mês de fevereiro, mais uma Jornada Pedagógica, evento que dá o pontapé inicial para o ano letivo, reunindo profissionais da educação em diversas atividades de formação. 

A educação, enquanto ação conjunta, pode provocar posicionamentos em diferentes concepções. Entendida como direito de todos, dever do Estado e da família em colaboração com a sociedade, a educação no Brasil, no lastro normativo, é caracterizada pela igualdade de condições, pelo respeito à pluralidade de idéias e pela valorização do patrimônio cultural. 

A proposta da educação nacional acentua o reconhecimento à diversidade de identidades na valorização do ser humano, e considera no processo, o direito de ser aceito nas especificidades que compõem a nação brasileira. Nesse sentido, percebe-se que a diferença precisa ser levada em consideração em todos os contextos, sendo a escola um dos espaços importantes para colaborar na superação de todas as formas de discriminação e racismo. 

Sendo assim, as propostas pedagógicas, assim como os regimentos escolares, devem acolher com autonomia e senso de justiça o princípio da identidade pessoal e coletiva dos/as educadores/as, dos/as educandos/as e de todos/as que convivem nesse espaço social. Essa compreensão da ação escolar também deve se refletir nas Comunidades Quilombolas, nas quais as instituições de ensino estão inseridas, por meio de seu calendário escolar contemplando atividades curriculares e extracurriculares. Pode, também, promover ampla reflexão sobre a consciência democrática nacional, uma vez que as múltiplas formas de diálogo contribuem para a construção de identidade afirmativa capaz de protagonizar ações solidárias e autônomas de constituição de conhecimento e valores fundamentais para a vida cidadã. 

Dessa forma, o processo educacional é concebido como indissociável da relação entre conhecimentos, linguagens e afetos constituintes dos atos de ensinar e aprender. O planejamento curricular escolar assume uma perspectiva que favorece a formação da identidade pessoal e coletiva deste cidadão e cidadã que estará ligado/a, e sendo formado/a, por meio dos saberes da educação básica obrigatória. Garantir que os/as educandos/as possam envolver-se e participar ativamente da sociedade como indivíduos críticos conduzirá a ações que visem uma formação integral, em que todas as suas dimensões sejam desafiadas, superando, assim, o simples acúmulo de informações. 

Com grandes expectativas iniciamos mais um ano letivo e o objetivo permanente é a busca por uma educação pública de qualidade aos nossos estudantes da educação Escolar Quilombola. 

Seguem as orientações para Jornada Pedagógica Específica para a Educação Escolar Quilombola, com um cronograma de uma semana de planejamento, indicações para cada dia e orientações práticas para condução dos trabalhos, lembrando que cabem ajustes e adequações necessárias, de acordo com cada unidade escolar. A escola no cumprimento de sua função social, no exercício da gestão democrática, possibilita a construção coletiva do conhecimento, tendo em vista a organização do espaço escolar, a elaboração/implementação dos seus projetos e a busca incessante da autonomia, uma vez que o exercício da democracia e da cidadania são condições para que todos/as sejam sujeitos/as do processo educacional na construção da escola que se quer: autônoma, democrática, participativa e de qualidade. Esse documento contém a síntese da Escuta Territorial sobre Jornada Pedagógica/2020 específica para os Espaços Escolares Quilombolas realizada pela CECQ/DIREM com os representações que pautam a Educação Escolar Quilombola. 

Jornada Pedagógica – 2020: Espaços Escolares Quilombolas 

Subtema: Jaime Cupertino: por uma educação intercultural e a descolonização do currículo. 

EIXOS A SEREM TRABALHADOS NA JORNADA PEDAGOGICA 

Dois eixos trabalhados na jornada pedagógica do 1° semestre e dois eixos trabalhados na jornada do 2° semestre. 

Currículo 

Currículo interdisciplinar e específico garantindo as especificidades de cada território quilombola. A metodologia deve utilizar-se dos saberes e fazeres tradicionais reconhecendo os ensinamentos com a terra, com a natureza, com o território, dentre outros. Durante a jornada deve-se tirar encaminhamentos para que ocorra Encontros Formativos e Rodas de Conversa ao longo do ano. 

Avaliação 

Processual e contínua atendendo as especificidades do currículo. Faz-se necessário meios de avaliação que contemplem a multiplicidade de saberes dos/as educandos/as, a exemplo de trabalhar a oralidade, a cultura, avaliar projetos desenvolvidos conjuntamente com a comunidade e relacioná-los a questão ambiental e ao desenvolvimento do meio. Para além da jornada pedagógica, a avaliação deve ser debatida nos Encontros Formativos. 

Formação Continuada 

Faz-se necessário que ocorra formação específica em Educação Escolar Quilombola para gestores/as, educadores/as, lideranças, dentre outras representações. Para garantia da qualidade das formações é importante firmar parcerias com as universidades e contar com o apoio das lideranças quilombolas, unindo conhecimento científico e saberes das comunidades. 

Acompanhamento Pedagógico 

Deve ter por base a consulta as comunidades, para além do período da jornada pedagógica, de preferência com frequência trimestral. 

Proposta de instrumentos, materiais e práticas a serem utilizados ou elaborados: 

Textos: Carta ao Dia da Consciência Negra – Jaime Cupertino; Dicionário da Educação do Campo – onde são encontrados conceitos da Educação Escolar Quilombola, Diretrizes Curriculares da Educação Escolar Quilombola Estaduais e Municipais 1, Revista Raça – para que seja trabalhada a questão identitária, fragmentos do livro Quarto de Despejo de Carolina de Maria de Jesus, material sobre os Projetos institucionais citados nesse documento, dentre outros; 

Construção de calendário com destaque para datas importantes para a comunidade e que reflitam a luta do movimento negro. Filmes nacionais; 

Poesia cantada; 

Material paradidático que reflita os fundamentos da Educação Escolar Quilombola; 

Oficina onde a oralidade seja trabalhada.