Ensino Fundamental

Apresentação

“Educação, soberania e justiça social consolidando aprendizagens”


A escola é um território onde diversas trajetórias se encontram para ensinar, aprender e cuidar. Estudantes, professores(as), coordenadores(as) pedagógicos(as), gestores(as), funcionários(as) e famílias formam uma comunidade atravessada por desigualdades estruturais e rápidas transformações tecnológicas, mas que encontra na escola um ponto de recomposição social. Uma escola pública de qualidade representa um país soberano, capaz de afirmar seus valores e resistir a pressões políticas, mercadológicas ou ideológicas que tentam enfraquecer seu papel. É nesse espaço que educação e justiça social se articulam para consolidar aprendizagens que vão além dos conteúdos curriculares. Elas se traduzem em pertencimento, horizontes ampliados e desenvolvimento de habilidades que permitem aos jovens desenhar seus próprios futuros — como resolver problemas de maneira criativa, interpretar informações de forma crítica, criar soluções colaborativas e comunicar ideias com clareza e responsabilidade.


A geração que hoje percorre os corredores das escolas cresce em um contexto acelerado, no qual transformações tecnológicas se somam a desigualdades históricas que moldam a experiência escolar. A conectividade constante é apenas uma dessas camadas. Muitos jovens lidam com a abundância de estímulos digitais enquanto enfrentam ausências concretas — acesso desigual à internet e a dispositivos, pouco tempo de cuidado e repertórios emocionais limitados. Nesses cenários, a hiperconectividade pode aumentar comparações, ansiedade e sensação de desamparo. Por isso, a educação se afirma como espaço de ancoragem, fortalecimento de vínculos e reconstrução do chão comum, seja por meio de rotinas estáveis, acompanhamento com escuta ativa ou de um currículo que integra temas do cotidiano dos estudantes. 

Essa geração amadurece, também, em meio a mudanças nas formas de trabalho e a discursos que fragilizam a confiança no valor da educação, sugerindo que estudar já não assegura um futuro estável. No entanto, no Brasil, os dados mostram que a educação formal segue sendo um dos indicadores mais sólidos de qualidade de vida, autonomia, longevidade e mobilidade social. A escola, nesse contexto, assume um papel duplo e incontornável: garantir ensino de qualidade que amplie oportunidades reais e reconstruir vínculos por meio de práticas de cuidado, escuta qualificada e políticas que integrem família e comunidade.

Em um cenário de incertezas, a escola é capaz de oferecer algo que nenhuma plataforma digital substitui. Ela proporciona relações humanas que sustentam pertencimento, experiências corporais que restauram presença, práticas de convivência que ampliam repertórios e oportunidades reais de transformação individual e coletiva. Esse potencial se fortalece quando a comunidade escolar promove a integração com as famílias e o território, amplia o acesso a atividades culturais, desenvolve ações de prevenção e atendimento à violência, organiza práticas esportivas com intencionalidade pedagógica e garante alimentação escolar de qualidade — entre outras iniciativas que compõem um conjunto mais amplo de cuidados e oportunidades.

É nesse encontro entre desafios contemporâneos e a solidez do cotidiano escolar que a adolescência precisa ser compreendida. A adolescência, no Brasil, se vive de diversas formas, e reconhecer essas trajetórias como ponto de partida é essencial para consolidar aprendizagens. Vínculos consistentes oferecem aos jovens referências claras para crescer. Testar limites é parte natural do desenvolvimento e, muitas vezes, expressa um pedido de orientação. A experiência escolar mostra que, quando adultos estabelecem limites firmes, empáticos e dialógicos — por exemplo, ao negociar regras de convivência, acolher conflitos ou orientar o uso dos celulares — os adolescentes respondem com mais segurança e abertura. Assim, encontram na escola um espaço que combina cuidado, responsabilidade e possibilidade de seguir avançando.

Fortalecer a escola pública é afirmar a soberania do país. Cada ação realizada por gestores(as), coordenadores(as), funcionários(as) e professores(as) contribui para consolidar aprendizagens significativas. Ao garantir que trajetórias diversas sejam acolhidas e oportunidades concretas oferecidas, a escola transforma o desenvolvimento individual em justiça social. Assim, constrói-se uma sociedade mais forte, inclusiva e capaz de projetar futuros coletivos.

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA

© 2025 | SEC - Todos os direitos reservados à Secretaria da Educação do Estado da Bahia