A Diretoria de Educação dos Povos e Comunidades Tradicionais (DEP), criada em 2023, tem como objetivo garantir, por meio da gestão democrática, a construção de ações pedagógicas voltadas à valorização da diversidade étnica, territorial e cultural do estado da Bahia.
De acordo com o artigo 3º do Decreto nº 6.040/2007, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, grupos socialmente organizados e culturalmente diferenciados, que se reconhecem como tais, possuem formas próprias de organização social e mantêm uma relação histórica e contínua com seus territórios e com os recursos naturais.
No âmbito do estado da Bahia, conforme o artigo 6º do Decreto nº 13.247/2011, são reconhecidas como comunidades tradicionais: povos indígenas, povos de terreiro, povos ciganos, comunidades quilombolas, comunidades de fundo e fecho de pasto, comunidades de pescadores artesanais e marisqueiras, comunidades extrativistas e comunidades geraizeiras.
O Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação, em articulação com os movimentos sociais, desenvolve ações voltadas à promoção de uma educação escolar pública de qualidade, contextualizada e comprometida com os modos de vida dos povos e comunidades tradicionais baianos, assegurando à rede estadual de ensino o acesso, a valorização e a continuidade dos conhecimentos tradicionais.
Nesse sentido, a pauta dos Povos e Comunidades Tradicionais deve estar presente de forma permanente em todos os espaços de aprendizagem da Rede Estadual de Educação da Bahia. Mais do que isso, é fundamental garantir um atendimento educacional que respeite e valorize suas identidades, histórias e territorialidades.
Para a DEP, o tema da Jornada Pedagógica 2026 assume um caráter de reparação histórica e afirmação de direitos. Sob essa perspectiva, a aprendizagem é compreendida como instrumento de soberania territorial e intelectual, no qual os currículos escolares devem dialogar com a cosmologia, os saberes ancestrais e as práticas socioculturais dos povos indígenas, povos ciganos, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos e comunidades de terreiro.
Promover justiça social na Bahia implica garantir uma educação que respeite a singularidade de cada modo de vida, fortalecendo a autonomia desses povos e assegurando que a escola seja um espaço de reconhecimento, resistência e protagonismo, contribuindo para a construção de um projeto de Estado que valorize suas raízes e assegure a sustentabilidade de seus territórios.
Diante disso, a Diretoria de Educação dos Povos e Comunidades Tradicionais deseja a toda rede estadual de ensino uma excelente Jornada Pedagógica.
Professor (a), você tem em mãos o Calendário Temático da Educação dos Povos e Comunidades Tradicionais. Trata-se de uma ferramenta pedagógica que irá auxiliá-lo (a) no exercício da oferta de uma educação contextualizada para a população do campo em sua diversidade e especificidades socioterritoriais.
Sugere-se a utilização do material como fonte orientadora do projeto pedagógico ao longo do ano de 2026, a partir da realização de atividades socioeducativas das diversas áreas do conhecimento tendo como base datas representativas para as sociedades, especialmente, aos povos do campo, das águas e das florestas. Destacam-se momentos que marcam a memória da luta e resistência do povo brasileiro em prol da construção de uma sociedade mais democrática e plural.
O calendário também visa fortalecer e celebrar as identidades culturais dos grupos sociais, promovendo nas comunidades escolares o senso de pertencimento e orgulho local, ao trazer à tona a ancestralidade, as lutas e os modos de vida.
Dentre as atividades que podem ser realizadas, indica-se a realização de feiras culturais abertas às comunidades, saraus, peças de teatro, apresentações musicais, seminários, mesas de debate, rodas de conversas, além de outras dinâmicas que podem ser postas em prática, conforme a sugestão dos professores, das professoras e dos (as) estudantes. Tendo em vista a adequação das realidades, com respeito à autonomia das comunidades escolares, indica-se que sejam acrescidas datas comemorativas das comunidades atendidas pela unidade escolar do campo. Desde o aniversário das comunidades, o tempo de colheita, as datas ligadas a manifestações religiosas até o aniversário de determinada liderança comunitária. Use a criatividade!
As atividades devem ser combinadas em uma metodologia transdisciplinar, alinhada a diversas áreas do conhecimento nas aulas (Matemática, Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e cultura), os (as) estudantes, desta forma, têm a oportunidade de conhecer, adaptar e aplicar conteúdos aprendidos e experiências vividas em uma perspectiva de diálogo e interação para a solução de desafios propostos.
Estão disponíveis também os calendários temáticos da educação do campo dos anos anteriores, de 2022, 2023, 2024 e 2025 para serem consultados e utilizados, pois cada um deles está organizado segundo temáticas específicas para o período, contendo as datas e contextos históricos que podem ser utilizados em atividades educativas atualmente.
Por fim, almeja-se que essa proposta possa contribuir para o fortalecimento das escolas no/do campo e das comunidades com base em valores coletivos e solidários, e deseja-se um ano de aproveitamento e crescimento pedagógico a todos e todas.
Sejam todos bem-vindos à Jornada Pedagógica 2026, um espaço de reflexão, troca de experiências e construção coletiva em torno da educação que desejamos para a Bahia. Neste ano, nosso foco central é a Aprendizagem como promotora da soberania e da justiça social na Bahia. Este é um momento fundamental de encontro, escuta sensível, reflexão crítica e partilha de experiências, que reafirma o compromisso coletivo com a educação pública como direito, como instrumento de transformação social e como base para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
A Jornada Pedagógica se consolida como um espaço privilegiado de diálogo e planejamento, no qual educadores e educadoras são convidados a revisitar suas práticas, fortalecer saberes e construir, de forma colaborativa, caminhos pedagógicos que respondam aos desafios contemporâneos da educação baiana. É nesse movimento coletivo que se fortalecem vínculos, se renovam propósitos e se reafirma o papel social da escola na formação integral dos estudantes.
Em 2026, o foco central de nossas reflexões é a Aprendizagem como promotora da soberania e da justiça social, reconhecendo que garantir o direito de aprender é condição essencial para o desenvolvimento humano, para a valorização das identidades culturais do povo baiano e para a redução das desigualdades históricas. Ao colocar a aprendizagem no centro do processo educativo, reafirmamos a escola como espaço de emancipação, protagonismo juvenil e construção de projetos de vida.
Que esta Jornada Pedagógica seja um tempo de inspiração, alinhamento e fortalecimento das práticas pedagógicas, impulsionando ações comprometidas com a equidade, a inclusão e a qualidade social da educação, em consonância com os princípios e metas da Rede Estadual da Bahia.
Sendo assim, alinhar esse período de construção da base educativa com a realidade de uma educação mais específica, como as que contemplam os povos do campo, das águas e da floresta é uma responsabilidade de extrema importância, pois reconhece as particularidades, as necessidades e valoriza a cultura dos territórios rurais. A educação do campo busca garantir que os habitantes desses territórios tenham acesso a uma educação de qualidade, considerando as especificidades do campo, como as práticas agrícolas, a relação com o meio ambiente e as questões socioeconômicas e culturais próprias das populações do campo. Além disso, a educação do campo visa combater o processo histórico de exclusão educacional da população do campo e promover o acesso a políticas públicas, garantir igualdade de oportunidades, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e o fortalecimento das comunidades rurais. Ao estruturar uma política pública de educação que esteja contextualizada com a realidade e as necessidades das comunidades rurais, a educação dos povos e comunidades tradicionais pode ajudar a preservar tradições, promover a autonomia e o empoderamento das comunidades, estimular o desenvolvimento econômico local e a sustentabilidade ambiental. Portanto, investir na educação do campo é essencial para promover a inclusão social e o desenvolvimento com equidade dos territórios rurais.
Ao promover a jornada pedagógica, as instituições de ensino buscam garantir que os educadores estejam preparados para enfrentar os desafios do ambiente escolar, oferecer um ensino de excelência e contribuir para o desenvolvimento integral dos estudantes.
Orientamos às Coordenações Pedagógicas das unidades escolares do campo e assentamentos a explorar os materiais de estudo e leitura propostos para a jornada pedagógica, orientando professores de todas as áreas do conhecimento à baixarem os materiais e utilizarem em suas leituras e estudos em grupo.
Excelente ano letivo!
Coordenação da Educação do Campo.
O Diagnóstico das Escolas do Campo na Bahia é uma pesquisa sistematizada, de caráter amplo e aprofundado, que teve como finalidade mapear, compreender e analisar as condições de funcionamento, bem como as especificidades pedagógicas, estruturais, organizacionais e sociais das escolas localizadas em áreas rurais do estado da Bahia. Trata-se de uma iniciativa estratégica voltada a subsidiar a formulação, o acompanhamento e o aprimoramento de políticas públicas que assegurem a oferta de uma educação do campo contextualizada, equitativa e socialmente referenciada.
O diagnóstico foi realizado pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), tendo como Instituições parceiras a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e o Fórum de Educação do Campo da
Bahia, contando com financiamento e apoio institucional da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, por meio da Coordenação de Educação do Campo e Quilombola. A pesquisa abrangeu um
universo expressivo de municípios e unidades
escolares, secretarias municipais de educação, escolas do campo, das águas e das florestas, contemplando a diversidade de contextos socioculturais e territoriais presentes no estado.
Confira os dados no site: Diagnóstico das Escolas do Campo na Bahia
As Escolas Famílias Agrícolas (EFA) e Casas Familiares Rurais (CFR) do Estado da Bahia são unidades escolares do campo de caráter privado/comunitário presentes em diversos territórios do interior do estado. São escolas construídas e gestadas pelas comunidades rurais, com atuação das famílias dos estudantes, lideranças comunitárias, entidades e movimentos sociais do campo e educadores no projeto educativo das escolas. Há no estado da Bahia 30 (trinta) EFAs e 3 (três) CFRs que ofertam educação básica integrada à formação profissional para mais de 5.000 jovens, filhos (as) de agricultores (as) familiares, e que vem desenvolvendo e fortalecendo a Educação do Campo de forma articulada com projetos de desenvolvimento local e com as diversas formas de produção de vida no e do campo baiano (escolarização, terra, trabalho, condições de produção e cultura)
O projeto educativo das EFAs e CFRs é estruturado na Pedagogia da Alternância: um processo educativo formado por tempos e espaços educativos que inserem o contexto socioprofissional e comunitário no processo educativo da juventude do campo. É organizado em dois momentos que se alternam: o “Tempo Escola” com práticas educativas formais em regime integral na unidade escolar, com permanência em residência-escola, e o “Tempo Comunidade”, com práticas educativas executadas nas comunidades de origem dos estudantes. Tal projeto formativo possibilita melhores condições de acesso e permanência da juventude do campo na educação básica e profissionalizante, além de executar instrumentos pedagógicos que desenvolvem uma formação integral e contextualizada com as características socioculturais dos territórios e modos de vida dos povos e comunidades tradicionais.
GIRLS EDUCATION: ELAS QUE LUTAM
Documentário sobre organização do grupo de mulheres na Escola Família Agrícola do Sertão (Monte Santo) – produzido por Jout Jout
As experiências exitosas nas escolas do campo demonstram que uma educação contextualizada fortalece a aprendizagem e a identidade dos estudantes. Ao valorizar os saberes locais, a cultura camponesa e a relação com a terra, essas escolas tornam o ensino mais significativo e próximo da realidade dos alunos. Projetos de agroecologia, hortas escolares, práticas sustentáveis e a participação da comunidade contribuem para o desenvolvimento integral dos estudantes. Dessa forma, as escolas do campo promovem não apenas o acesso ao conhecimento, mas também a valorização do território, o protagonismo dos educandos e a construção de uma educação mais justa e transformadora.
Confira:
As sugestões de leitura apresentadas têm como objetivo ampliar conhecimentos, estimular a reflexão crítica e enriquecer o processo formativo. Os textos indicados dialogam com diferentes temas e contextos, permitindo ao leitor aprofundar ideias, conhecer novas perspectivas e relacionar teoria e prática. A leitura contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico, da autonomia intelectual e da construção de saberes significativos, podendo ser utilizada como apoio para estudos, debates e atividades formativas em diversos espaços educativos.
Volume 1 nº 1 de 2011 – Editora UNEMAT
Volume 7, Número 1 – 2020 – Editora UNEMAT
Volume 06, Número 02 – 2017 – Unemat Editora
Volume 8, Número 2 – 2020 – Unemat Editora
Água e agroecologia – Brasília, DF: Embrapa, Embrapa, 2023.
Série Sociedade Solidária Vol. 7 – 2015 – Editora UNEMAT
Série Sociedade Solidária. Vol. 9 – 2020 – Editora UNEMAT
Rio de Janeiro • São Paulo 2012 – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
Expressão Popular
Documentos 1998-2018 – Editora UNB
Volume 22, Número 2
Revista Reflexão e Ação, 2014
São Carlos: Pedro & João Editores e Navegando, 2016
1° Edição Editora Expressão Popular, 2000
Vol. 10 – 2023 – Série Sociedade Brasileira
10° Edição, 4° Impressão – Editora África, 1992
Princípios e Concepções da Educação do Campo
1° Edição – Universidade Federal de Santa Maria, 2018
Editora Vozes Ltda., 2000
Educação Rural no Brasil: do Ruralismo Pedagógico ao Movimento Por Uma Educação do Campo
1° Edição – Editora Navegando Publicações, 2016
Editora da Universidade Federal do Piauí – EDUFPI, 2020
São Carlos: Pedro e João Editores, 2022
Walter Lúcio de Alencar Praxedes e Geovanio Rossato
Francisco Arredondo (Autor), Carolina Caires Coelho (Tradutor)
Livros utilizados pelo Projeto “Nós por Nós: incentivo à produção literária das escolas do campo, indígena e quilombola
Torto Arado
Salvar o Fogo
Coração Sem Medo
(Trilogia da Terra)
Todavia: Itamar Vieira Júnior
Jaime Lauriano, Lilia Schwarcz, Flávio dos Santos Gomes
Dijamila Ribeiro
Lázaro Ramos
Chimamanda Ngozi Adichie
Docente: Maria Nalva R. Araújo Bogo – UNEB
Docente: Maria Nalva R. Araújo Bogo – UNEB
A Educação Escolar Indígena nasce da diversidade, da autonomia e da liberdade de pensar o mundo, os valores e os significados próprios de cada povo indígena. Trata-se de uma construção originada em sociedades que historicamente inventaram modos singulares de viver, produzir conhecimento e se relacionar com a natureza. Reconhecendo o papel fundamental da educação na reconstrução e afirmação de suas identidades, os povos indígenas buscam garantir esse direito a partir de processos próprios de ensino e aprendizagem, compreendendo a necessidade de reorganizar a manutenção de seus territórios por meio de um modelo educacional voltado ao desenvolvimento local sustentável e à perspectiva do bem viver. Esse modelo tem como objetivo superar o etnocídio educativo e possibilitar novos meios de sobrevivência humana, articulando saberes tradicionais e formas contemporâneas de educação ainda em permanente construção.
No âmbito da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, a Educação Escolar Indígena passou a contar, desde 2008, com uma coordenação própria, sendo a Coordenação de Educação Indígena (CEEI) responsável pelo atendimento às demandas educacionais dos povos indígenas do estado. Essa iniciativa representa um avanço na consolidação da Educação Escolar Indígena como política pública de Estado.

Reafirmamos que a Educação Escolar Indígena constitui um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988, que reconhece aos povos indígenas suas organizações sociais, costumes, línguas, crenças e tradições, bem como o direito a processos próprios de ensino e aprendizagem. Em consonância com esse marco legal, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) determina que a educação destinada aos povos indígenas seja organizada de forma específica, respeitando seus projetos societários e seus modos próprios de produção de conhecimento.
A CEEI constitui-se, portanto, como um espaço pedagógico, político e institucional de fortalecimento das identidades indígenas, de articulação e legitimação da Educação Escolar Indígena como direito coletivo, respeitando as diferenças entre os povos e os projetos societários definidos de forma autônoma. Nesse sentido, promove o protagonismo indígena, a participação comunitária, o exercício da cidadania, a equidade e o respeito à diversidade. Assim, reafirmamos nosso compromisso em continuar mantendo o diálogo institucional e fortalecendo as escolas indígenas, para que o direito a uma escola indígena específica, diferenciada e intercultural seja garantido.
Desejamos um excelente ano letivo!
Coordenação de Educação Escolar Indígena.
A Educação Escolar Quilombola, enquanto modalidade estruturante da Educação Básica na Bahia, segue contribuindo de forma decisiva para a construção de um paradigma educacional que valoriza contextos, identidades e territorialidades, em uma perspectiva profundamente decolonial, antirracista e comprometida com a dignidade dos povos tradicionais. É nessa mesma travessia que se inscreve a Jornada Pedagógica 2026, trazendo para o centro das nossas reflexões a aprendizagem como força que sustenta a soberania e impulsiona a justiça social em nosso estado.
Pensar a educação baiana — em diálogo com as práticas, memórias e epistemologias quilombolas — é reconhecer que aprender é também um ato político de cuidado, ancestralidade e transformação. A aprendizagem, compreendida como fio que entrelaça gerações, torna-se ponte entre saberes tradicionais e práticas pedagógicas contemporâneas. Ensinar e aprender, nesse horizonte, significa preservar, guardar, respeitar e ancestralizar o futuro, produzindo caminhos sustentáveis, inovadores e socialmente justos para as crianças, jovens e adultos que compõem a rede estadual.
Neste protagonismo, entendemos que um Ano Letivo que se propõe emancipador convoca os territórios quilombolas e todas as comunidades educativas a inscreverem suas trajetórias como rios que se movem, resistem e reinventam contornos de humanidade. A diversidade cultural, étnica e ancestral que molda este quilombo chamado Bahia se faz correnteza viva, escrevendo nas águas e nas veias da nossa história os gestos de luta, insubordinação e resistência que sustentam a identidade negra baiana.
As pretitudes da Educação Escolar Quilombola seguem sendo vozes da oralidade magnética, cantos ancestrais guiados pelo sagrado das Yabás e registrados nas páginas da vida de nossos irmãos e irmãs espalhados pelos quilombos da Bahia. São simbologias que preservam existências e reencantam saberes, transmutados e sistematizados em práticas pedagógicas que reconhecem a potência da experiência quilombola como matriz formadora.
Nosso olhar enquanto educadores precisa acolher trajetórias plurais, compreendendo que a presença quilombola se faz tanto nos territórios rurais quanto nos espaços urbanos, periféricos e comunitários. Em todos esses lugares, a história negra resiste — muitas vezes relegada ao silêncio, esquecida nas estantes, tratada como texto nunca lido. Reconhecê-la e trazê-la ao currículo é um gesto de reparação, de equidade e de justiça, que rompe com a lógica do “quarto de despejo” e afirma o lugar de protagonismo dos sujeitos quilombolas e afro-baianos.
Assim, a Jornada Pedagógica 2026 se faz marco de um novo ciclo, no qual a aprendizagem se torna instrumento de soberania, de afirmação identitária e de participação social. É momento de reafirmar o direito dos povos quilombolas — e de todos os povos da Bahia — de narrar suas próprias histórias, fortalecer seus saberes e ocupar com legitimidade o palco das políticas educacionais.
Respeitando a contextualidade local, reafirmamos que “o calendário da Educação Escolar Quilombola deverá adequar-se às peculiaridades locais, climáticas, econômicas e socioculturais, a critério dos sistemas de ensino e do projeto político-pedagógico da escola, sem redução da carga horária prevista na LDB (Resolução CEE/CEB nº 68/2013)”. Nesse compromisso, buscamos ofertar subsídios pedagógicos, materiais formativos e apoio às escolas, fortalecendo os processos de ensino-aprendizagem que emergem dos territórios.
Desejamos que o ano de 2026 seja um território fértil de saberes, trocas e experiências, capaz de promover aprendizagens significativas e emancipadoras para estudantes, educadores e comunidades. Convidamos todas as escolas a caminharem conosco na construção coletiva de uma educação que, na Bahia, seja verdadeiramente promotora de soberania, justiça social e futuro.
Fundamental para quem acredita na educação como prática de liberdade e transformação social; propõe uma pedagogia crítica e dialogada.
Reflexões de Freire sobre educação, contexto social e esperança, com ênfase em resistências e críticas sociais.
Aborda a reconstrução da pedagogia libertadora à luz de novas realidades, retomando utopias de transformação social.
Reúne reflexões sobre a crise contemporânea, educação, desigualdades sociais e políticas públicas — útil para pensar educação + justiça social no contexto baiano.
Aborda a conexão entre política, epistemologias e a prática da Pesquisa Ação Participativa, essencial para promover a justiça social em sala de aula
Ajuda a descolonizar o currículo e valorizar os saberes locais e tradicionais, fundamental para a soberania cognitiva.
Uma coletânea focada na relação entre território, educação e identidades no Baixo Sul da Bahia, incluindo temas como o protagonismo indígena e o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.
Oferece uma perspectiva histórica sobre a luta pelo acesso à educação na Bahia e a persistência da desigualdade social.
Excelente síntese da pedagogia da libertação.
Centrado nas políticas de cotas e na trajetória de jovens de comunidades periféricas e tradicionais na luta para ingressar no ensino superior. Aborda diretamente temas de resistência, educação e justiça social na Bahia.
Retrata a vida e luta do educador baiano Anísio Teixeira pela educação pública e integral, uma base histórica para a discussão de soberania e democracia na educação.
Excelente para discutir justiça social, desigualdade e as hierarquias de classe presentes nas relações de trabalho e nas aspirações educacionais.
Embora não seja brasileiro, mostra a escola como espaço de transformação para estudantes marginalizados e a importância da escuta ativa na prática pedagógica.
Discute a luta pela terra e a soberania dos povos indígenas, tema crucial no contexto bra sileiro e baiano, ligando a questão ambiental à justiça social.
A música tem a escrita como resposta às críticas à cultura baiana, exalta símbolos do Recôncavo e da diversidade brasileira. A letra afirma que a Bahia é centro irradiador de cultura, mostrando orgulho e resistência.
Como complemento à leitura sobre povos tradicionais, o Acervo Cartográfico Geografar (UFBA) oferece subsídios geográficos preciosos sobre a organização dos territórios pesqueiros. O acervo reúne mapas que documentam a ocupação histórica e as dinâmicas socioespaciais de pescadores e pescadoras artesanais, servindo como base para estudos de impacto ambiental.
Esta curadoria de leituras tem como objetivo ampliar a compreensão sobre a pluralidade dos povos ciganos, rompendo com a visão folclórica e limitada que o senso comum costuma reproduzir. Ao mergulhar nessas obras, buscamos não apenas informar, mas transformar o olhar do leitor, substituindo o estigma pelo reconhecimento de uma cultura de resistência que sobreviveu a séculos de exclusão, mantendo viva sua língua, sua ética e seus laços de pertencimento.
O mapeamento sistemático realizado pelo Geografar (UFBA) oferece uma base de dados geoespaciais robusta sobre as áreas de Fundo e Fecho de Pasto. O acervo serve como fonte primária para pesquisadores, gestores públicos e movimentos sociais, permitindo a análise da malha fundiária, sobreposições de terras e a caracterização espacial dessas comunidades tradicionais no semiárido brasileiro.
O projeto Nós por nós – Projeto de Incentivo à produção literária do campo, indígena e quilombola no estado da Bahia, da Diretoria de Educação dos Povos Comunidades Tradicionais, Secretaria da Educação – SEC/BA, representa um passo significativo na valorização da diversidade cultural e na promoção da inclusão social. Ao focar na produção literária de grupos historicamente marginalizados, como as comunidades do campo, indígenas e quilombolas, a iniciativa não apenas busca preservar e compartilhar suas histórias, mas também empoderar esses grupos ao dar visibilidade às suas vozes e
narrativas.
A criação de um espaço onde essas comunidades possam registrar e expressar suas culturas é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A aquisição de livros publicados e o incentivo à produção literária local contribuem para o fortalecimento da identidade cultural e a valorização do conhecimento tradicional.
Os livros adquiridos, em um total de 20 mil exemplares pelo Projeto Nós por Nós, foram: Torto Arado, Salvar o Fogo, Na Minha Pele, Cartas para Minha Avó, O Perigo de uma História Única e Enciclopédia Negra. Este acervo foi entregue em nossas unidades escolares das modalidades: Educação do Campo, Educação Escolar Indígena e Educação Escolar Quilombola.