Apresentação

A Educação Escolar Indígena nasce da diversidade, autonomia e liberdade de pensar o mundo, valores e significados de cada um dos povos indígenas: populações que inventaram livremente um modo de viver e pensar. As sociedades indígenas, reconhecendo o papel a ser cumprido na reconstrução e afirmação de uma identidade, buscam garantir o direito à educação e nessa busca, percebem a necessidade de reorganizar a manutenção dos territórios através de um modelo de educação voltada para o desenvolvimento local sustentável na perspectiva do bem viver. Esse novo modelo de educação tem como objetivo superar o Etnocídio educativo e possibilitar novos meios de sobrevivência humana para os povos indígenas, a ser consolidado através de formas modernas de educação ainda em construção.

Nessa perspectiva nasce a Educação Escolar Indígena na Bahia, respaldada numa concepção de educação enquanto processo de constituição e fortalecimento de uma educação específica, intercultural e diferenciada, respaldada pelo Território Etnoeducacional Yby Yara, nova configuração da política educacional indígena que busca efetivar uma educação escolar indígena de qualidade, respondendo às necessidades educacionais e às especificidades socioculturais dos 16 povos da Bahia, atendidos nos 102 espaços educativos indígenas.

Professor (a), você tem em mãos o Calendário Temático da Educação dos Povos e Comunidades Tradicionais. Trata-se de uma ferramenta pedagógica que irá auxiliá-lo (a) no exercício da oferta de uma educação contextualizada para a população do campo em sua diversidade e especificidades socioterritoriais. Sugere-se a utilização do material como fonte orientadora do projeto pedagógico ao longo do ano de 2024, a partir da realização de atividades socioeducativas das diversas áreas do conhecimento tendo como base datas representativas para as sociedades, especialmente, aos povos do campo, das águas e das florestas. Destacam-se momentos que marcam a memória da luta e resistência do povo brasileiro em prol da construção de uma sociedade mais democrática e plural. O calendário também visa fortalecer e celebrar as identidades culturais dos grupos sociais, promovendo nas comunidades escolares o senso de pertencimento e orgulho local, ao trazer à tona a ancestralidade, as lutas e os modos de vida. Dentre as atividades que podem ser realizadas, indica-se a realização de feiras culturais abertas às comunidades, saraus, peças de teatro, apresentações musicais, seminários, mesas de debate, rodas de conversas, além de outras dinâmicas que podem ser postas em prática, conforme a sugestão dos professores, das professoras e dos (as) estudantes. Tendo em vista a adequação das realidades, com respeito à autonomia das comunidades escolares, indica-se que sejam acrescidas datas comemorativas das comunidades atendidas pela unidade escolar do campo. Desde o aniversário das comunidades, o tempo de colheita, as datas ligadas a manifestações religiosas até o aniversário de determinada liderança comunitária. Use a criatividade! As atividades devem ser combinadas em uma metodologia transdisciplinar, alinhada a diversas áreas do conhecimento nas aulas (Matemática, Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e cultura), os (as) estudantes, desta forma, têm a oportunidade de conhecer, adaptar e aplicar conteúdos aprendidos e experiências vividas em uma perspectiva de diálogo e interação para a solução de desafios propostos. Estão disponíveis também os Calendários Temáticos da Educação do Campo de 2022 e 2023, para serem consultados e utilizados, pois cada um deles estão organizados segundo temáticas específicas para o período, contendo as datas e contextos históricos que podem ser utilizados em atividades educativas atualmente. Por fim, almeja-se que essa proposta possa contribuir para o fortalecimento das escolas no/do campo e das comunidades com base em valores coletivos e solidários, e deseja-se um ano de aproveitamento e crescimento pedagógico a todos e todas.

A Educação de Povos e Comunidades Tradicionais
• Educação escolar indígena resistência ativa e diálogos interculturais – Clelia Neri Côrtes
• Educação intercultural direitos, desafios e propostas de descolonização e de transformação social no Brasil – Gersem José dos Santos Luciano
• Escolarização Indígena, Cultura e Educação – Patrícia Regina Ciaramello
Protagonismo Indígena na História – Organizadores: Fábio Feltrin de Souza e Luisa Tombini Wittmann                                                                                                       • Tecendo Saberes Indígenas na Escola Caminhos para uma Política Pública de Formação de Professores e Professoras Indígenas no Território Etnoeducacional – Yby Yara

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